Um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira, criador das inesquecíveis “Helenas”, marcou gerações ao retratar com sensibilidade os conflitos familiares e a vida da burguesia carioca.
Morreu neste sábado, 10 de janeiro, aos 92 anos, no Rio de Janeiro, o autor, diretor, produtor e escritor Manoel Carlos, popularmente conhecido como Maneco. Ele estava internado no Hospital Copa Star, na Zona Sul da capital fluminense, e teve a morte confirmada por volta das 20h .
Nascido em São Paulo em 14 de março de 1933, Manoel Carlos Gonçalves de Almeida foi um dos grandes nomes da história da televisão brasileira. Pai da atriz Júlia Almeida e da roteirista Maria Carolina, sua parceira em diversas obras, o autor ficou marcado por retratar com profundidade o cotidiano, os conflitos e as relações da burguesia carioca, especialmente no bairro do Leblon, a partir da década de 1990.
Pioneiro da TV no Brasil, iniciou a carreira nos anos 1950 e integrou o elenco e a equipe do Grande Teatro Tupi, na extinta TV Tupi, que apresentou mais de 450 peças com alguns dos maiores atores do país, como Fernanda Montenegro, Ítalo Rossi e Nathalia Timberg. Em 1952, escreveu sua primeira telenovela, Helena, adaptação do romance de Machado de Assis, para a TV Paulista, seguida por outras obras literárias adaptadas para a televisão.
Ao longo das décadas seguintes, Maneco construiu uma trajetória sólida como autor, diretor e produtor, passando por emissoras como TV Record, TV Globo, Manchete e Band. Na Globo, assinou títulos marcantes como Baila Comigo (1981), Felicidade (1991), História de Amor (1995), Por Amor (1997), Laços de Família (2000), Mulheres Apaixonadas (2003), Páginas da Vida (2006) e Viver a Vida (2009), além das minisséries Presença de Anita (2001) e Maysa – Quando Fala o Coração (2009).
Suas novelas ficaram conhecidas por abordar temas sociais e emocionais complexos, como relações familiares, envelhecimento, violência doméstica, preconceito, alcoolismo, deficiência, doenças graves e conflitos afetivos. Personagens femininas fortes, muitas delas chamadas Helena, tornaram-se uma de suas principais marcas autorais.
O último trabalho de Manoel Carlos na televisão foi a novela Em Família, exibida em 2014. Apesar da recepção crítica e de audiência abaixo do esperado, a obra marcou a despedida de um autor que ajudou a moldar a linguagem da telenovela brasileira e a aproximá-la de questões humanas universais.
Com a morte de Manoel Carlos, a dramaturgia nacional perde um de seus principais cronistas das emoções, das relações familiares e do cotidiano urbano, cuja obra atravessou mais de seis décadas e deixou personagens, diálogos e histórias que permanecem na memória afetiva do público.




