No Dia Mundial da Atividade Física (06/04), especialistas reforçam a importância do movimento para o bem-estar emocional
A prática regular de atividade física tem se consolidado como uma aliada importante no cuidado com a saúde mental. Evidências científicas recentes indicam que o exercício pode ser tão eficaz quanto medicamentos e psicoterapia em casos leves a moderados de ansiedade e depressão.
Uma ampla revisão publicada no British Journal of Sports Medicine, considerada a maior já realizada sobre o tema, analisou 1.079 estudos conduzidos em diferentes países, com dados de quase 80 mil participantes. Os resultados mostram que a atividade física está diretamente associada à redução significativa dos sintomas de ansiedade e depressão.
Os maiores benefícios foram observados em pessoas com quadros leves a moderados, especialmente com a prática de exercícios aeróbicos de intensidade moderada. Nesse contexto, o exercício físico surge como uma estratégia acessível, preventiva e complementar no tratamento da saúde mental.
O cenário global reforça a importância do tema. De acordo com relatórios recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental. Como resposta, a entidade recomenda pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada para promover benefícios à saúde física e emocional.
Segundo o psiquiatra Rodrigo Schettino, professor da pós-graduação em psiquiatria da Afya Itaperuna, baixos níveis de atividade física estão associados a maiores índices de ansiedade e depressão“O movimento regular libera endorfinas, melhora a autoestima e contribui para a regulação emocional”, afirma.
O especialista destaca ainda que, em alguns casos, os efeitos do exercício podem se aproximar dos resultados obtidos com a psicoterapia, especialmente em quadros mais leves. No entanto, ele ressalta que transtornos mais graves — como depressão moderada a severa, transtorno bipolar e esquizofrenia — exigem tratamento medicamentoso como abordagem principal.
Mesmo nesses casos, a atividade física continua sendo uma aliada importante, contribuindo para a estabilização do humor e melhora da qualidade de vida.
A psicóloga Mariana Ramos, professora da Afya Centro Universitário Itaperuna, reforça a conexão entre corpo e mente como um fator essencial para o bem-estar.
“O que sentimos impacta o organismo, assim como nossas ações corporais influenciam emoções e pensamentos”, explica.
Além dos benefícios emocionais, a prática regular de exercícios ajuda na organização da rotina, promove sensação de autocuidado e cria momentos de pausa e reconexão consigo mesmo. Segundo a especialista, esse processo favorece uma postura mais ativa e consciente em relação à própria saúde.
Outro ponto destacado é que a eficácia da atividade física não está necessariamente na intensidade, mas na consistência e no significado que ela tem para o indivíduo.
“Quando a prática faz sentido, ela deixa de ser obrigação e passa a fazer parte da rotina”, afirma Mariana.
Atividades em grupo também podem potencializar os efeitos positivos, fortalecendo vínculos sociais, reduzindo o isolamento e criando uma rede de apoio: fatores fundamentais para a manutenção do hábito e para a saúde mental.





