Priscila Guskuma aponta combinação entre compra de produtos prontos e crescimento da produção caseira como principal tendência da data
A Páscoa confirma sua força como uma das principais datas do varejo brasileiro, mesmo diante do aumento nos preços dos chocolates. Segundo dados do IBGE, o chocolate em barra e o bombom acumulam alta de 26% nos últimos 12 meses. Ainda assim, o consumo segue aquecido: 65% dos brasileiros pretendem realizar compras para a data, de acordo com levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, um crescimento de 4,2 milhões de consumidores em relação ao ano anterior.
Para a especialista em varejo e negócios, Priscila Guskuma, o cenário atual mostra um consumidor mais dinâmico, que combina diferentes formas de consumo na Páscoa.
“O mercado continua forte, e o consumidor não substituiu totalmente o produto pronto, ele ampliou sua forma de consumir. Hoje, além da compra tradicional, também busca viver a experiência, seja fazendo em casa ou até mesmo produzindo para vender.”
Os dados reforçam esse comportamento: enquanto os ovos industrializados ainda lideram a preferência (56%), o segmento caseiro e artesanal já aparece com 40% de intenção de compra. Personalização e qualidade são apontadas como os principais motivadores dessa escolha.
Varejo precisa atender múltiplas jornadas de consumo
A diversificação do comportamento do consumidor tem exigido uma resposta mais estratégica do varejo. Cada vez mais versátil, o cliente transita entre diferentes formas de consumo, o que leva os lojistas a revisarem o mix de produtos e ampliarem a oferta para além do público profissional. Nesse cenário, ganham espaço soluções voltadas ao consumidor final, desde itens para produção em casa até alternativas para quem deseja empreender no período.
Os kits “faça você mesmo” (DIY), por exemplo, se destacam por facilitar essa jornada e impulsionar tanto o consumo por experiência quanto a geração de renda.
“Hoje o varejo não pode mais escolher entre vender o produto pronto ou atender quem quer fazer em casa. O consumidor transita entre esses dois mundos, e os kits ajudam justamente nisso: simplificam a experiência, permitem personalização e ainda abrem espaço para quem quer empreender. Quem entende esse movimento e ajusta o mix de produtos consegue capturar mais oportunidades na mesma data”, afirma Priscila.
Estratégia e adaptação definem o resultado
Mais do que ampliar o mix de produtos, o varejo precisa atuar de forma estratégica em toda a jornada de compra, da forma como apresenta suas soluções ao planejamento de estoque e à leitura de tendências. Em uma data altamente competitiva, ajustes na exposição, na comunicação e na organização podem impactar diretamente o desempenho.
Nesse contexto, a Páscoa se consolida como uma oportunidade para os negócios que conseguem interpretar o comportamento do cliente e se adaptar com agilidade.
“O consumidor hoje transita entre praticidade e experiência e o varejo precisa acompanhar esse movimento. Quem consegue estruturar bem essa entrega aumenta o ticket, melhora o giro e aproveita melhor o potencial da data”, conclui a especialista.





