Coluna “Close Certo” com Valterli Martinez

Valterli Martinez: 38 anos de dedicação ao comércio mogiano e novos desafios à frente do Mogi Basquete

 Empresário que cresceu entre o balcão do armazém da família e a modernização do varejo assume a missão de fortalecer o Sincomércio e profissionalizar a gestão do Mogi Basquete.

 

No início da década de 1970, um pequeno mogiano, morador do bairro Ponte Grande, dividia-se entre os estudos na Escola Estadual Adelino Borges Vieira, a natação no Clube Náutico e o futebol, no qual era considerado um bom jogador por seu gosto pela competição. Viu o pai, gerente de uma grande loja de departamentos, apostar no próprio negócio e abrir um armazém. Aos doze anos, passou a conciliar os estudos com o trabalho na empresa da família. Levou a avidez pela competição para o comércio, buscando inovar e encontrar alternativas para se sobressair à concorrência. O armazém cresceu e se tornou o Supermercado Ponte Grande. Então estudante do curso de Processamento de Dados no Liceu Braz Cubas, ele passou a aplicar no supermercado os conhecimentos adquiridos, utilizando o programa “dBase” e registrando todo o estoque em fitas cassete.

Já na década de 1980, com a venda do supermercado, ele, o pai e o irmão montaram uma empresa de atacado de cereais, batata, cebola e alho, que mais tarde se tornou um hortifruti. Em 2002, o pai deixou a sociedade, ele comprou a parte do irmão e manteve a empresa até 2007, quando, diante de uma boa oportunidade, vendeu uma das empresas de entrega, permanecendo apenas com a menor, que segue até hoje atendendo pousadas do litoral.

Desde então, o menino da história, Valterli Martinez, soma 38 anos de trajetória no comércio mogiano. Há vinte e três anos, foi convidado pelo fundador e presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes (Sincomércio) para assumir a diretoria. Após o falecimento de Airton, em 2016, assumiu a presidência do sindicato com a meta de dar continuidade ao trabalho empreendedor de Nogueira e seguir trazendo mudanças e benefícios aos comerciantes da cidade.

Mudanças no comércio

Valterli destaca as transformações no setor, que antes enfrentava muitos problemas devido à inadimplência. O uso do cartão de crédito, segundo ele, trouxe segurança aos lojistas. Ele também observa a evolução no processamento e entrega de produtos, hoje mais qualificados e exigentes quanto ao preparo.

“O processamento mudou muito. Hoje é preciso preparar melhor o produto, garantir a qualidade da entrega; as empresas exigem mais. É preciso se qualificar para manter o processo. Aprendi muito quando comecei a fazer entregas nas unidades do Sesc, que têm um padrão maior. Adaptei-me a isso e passei a aplicar nas minhas entregas”, lembra.

Ele também percebeu uma mudança após a pandemia, quando o consumidor adquiriu mais confiança nas compras pela internet. Essas mudanças, no entanto, não prejudicaram totalmente o comércio, mas modificaram a relação entre lojistas e clientes. O consumidor atual não busca apenas preço, mas segurança e um bom pós-venda.

“Nos primeiros anos do pós-pandemia, o comércio de rua perdeu muitas vendas para o online. Mas, com o retorno do contato físico e da normalidade, vimos que a tendência mudou um pouco. Hoje o consumidor quer ter experiência. O empresário, especialmente no varejo, precisa oferecer um diferencial para não perder a venda — tornar o cliente VIP. Isso tem funcionado, porque não é apenas preço, mas qualidade na entrega do produto. Com atendimento diferenciado, o comerciante mantém o cliente.”

A experiência que adquiriu em sua própria empresa é hoje repassada aos associados do Sincomércio. Em parceria com o Sebrae e outros colaboradores, trabalha pela qualificação do comércio local. Uma das preocupações é mudar a percepção dos associados sobre o sindicato, desvinculando a ideia de que a entidade se resume a boletos — um desafio presente desde que assumiu a presidência.

“Começamos a mostrar ao lojista que não estamos aqui apenas para cobrar, mas para entregar resultados. Trabalhamos com a metodologia do senhor Airton Nogueira, que estruturou toda a parte administrativa do sindicato: oferecer tudo aquilo que o pequeno e médio comerciante não têm. Como entidade, precisamos ter e oferecer para que eles consigam concorrer com os grandes. Embora atendamos grandes varejistas, também nos preocupamos com os pequenos e médios, que mais precisam”, explica, e anda destaca os serviços disponíveis aos associados:

“Seguindo a ideia do senhor Airton, oferecemos serviços para atender o lojista, como um advogado especializado em contratações. Hoje temos uma equipe com oito advogados, além da medicina do trabalho. Trouxemos padrões de indústria para o comércio, acompanhamos as mudanças do eSocial. Modernizamos o que já existia e mostramos ao comerciante os benefícios de ser associado.”

Para quem deseja abrir uma pequena empresa na cidade, o empresário recomenda atenção às leis municipais — como a Lei Mogi Mais Limpa — e orienta que procurem a equipe jurídica do Sincomércio, preparada para fornecer o suporte necessário.

“É importante analisar o comportamento da cidade, que é diferente de outros municípios. Mogi das Cruzes tem características próprias. As redes sociais são ferramentas essenciais para divulgar as empresas; o online precisa ser considerado para oferecer alternativas ao cliente. É preciso ter tecnologia e qualificação. O Sebrae oferece treinamentos gratuitos. Informe-se. Hoje é necessário saber um pouco de tudo”, afirma ressaltando a importância de se contar com um bom contador.

“A Reforma Tributária será essencial para o sucesso da empresa. Ela traz novos aspectos sobre pagamento de tributos. Sem controle tributário, a carga pode chegar a 27%, e o comerciante acaba arcando sozinho com tudo. Estamos muito atentos às exigências da Lei de Segurança do Trabalho, pois todas as ocorrências devem ser registradas corretamente no eSocial, sob risco de multas”, destaca Valterli, reforçando o trabalho de conscientização feito pelo Sincomércio.

Basquete Mogi: novos desafios

Há dez anos, a convite de Nilo Guimarães, passou a integrar ações que aproximavam o Mogi Basquete do comércio local, levando público ao estádio e estimulando pequenos patrocínios. Em julho deste ano, com o afastamento de Dimas Martins, Martinez assumiu a Presidência do Conselho do Mogi Basquete, ao lado de Bruno Torres e Rafael Issa. Hoje, o time está sob gestão da All Sports e conta com apoio da Prefeitura Municipal.

“A All Sports está investindo forte no Mogi Basquete. Trouxemos o time para outro nível, o nível profissional, sem esquecer a base, que é fundamental. Estamos trazendo o basquete para o funcionamento de uma equipe profissional. A All Sports faz a administração, contratações, propaganda, vendas e busca de patrocínio. Eu trabalho na captação de patrocinadores e encaminho para eles; a parte financeira fica com a empresa. Temos um portal de transparência para que os patrocinadores acompanhem os processos. A Associação Mogi Basquete continua como mantenedora, mas transferimos as ações administrativas para uma empresa qualificada e profissional”, conclui.

 

 

Foto de Instituto Léa Campos

Instituto Léa Campos

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