Campanha mundial busca conscientizar os homens sobre prevenção e autocuidado
O Novembro Azul é um movimento mundial que chama a atenção para a importância da saúde masculina, com foco especial na prevenção e no diagnóstico precoce do câncer de próstata — o segundo tipo mais comum entre os homens no Brasil.
De acordo com o médico urologista Dr. Josinelio Henrique Oliveira Bernardes, o tema ainda enfrenta resistência por parte de muitos pacientes, principalmente por causa do tabu em torno do exame de toque, etapa essencial na detecção da doença. Embora o preconceito ainda exista, ele observa uma mudança gradual no comportamento dos homens, que têm buscado mais informações e cuidados com a saúde.
O especialista destaca que a informação e o diálogo são fundamentais para vencer o medo e o preconceito, além de aumentar significativamente as chances de cura. Homens bem orientados tendem a procurar atendimento mais cedo, o que permite identificar a doença em estágios iniciais, quando as chances de sucesso do tratamento ultrapassam 90%.
A recomendação médica é que homens negros ou com histórico familiar de câncer de próstata iniciem as avaliações preventivas a partir dos 45 anos, enquanto os demais devem começar aos 50. O exame de sangue PSA é um dos principais instrumentos de investigação, mas não deve ser realizado isoladamente — ele deve sempre ser acompanhado do exame de toque retal, que complementa a análise clínica e aumenta a precisão do diagnóstico.
Por ser uma doença silenciosa, o câncer de próstata geralmente não apresenta sintomas nas fases iniciais. Quando os sinais aparecem, costumam envolver dificuldade para urinar ou alterações no fluxo urinário, o que exige atenção imediata e avaliação por um urologista.
Atualmente, há diversas modalidades de tratamento disponíveis, com destaque para a cirurgia robótica, considerada a opção mais eficaz quando se busca a cura. Ainda assim, o tratamento pode trazer efeitos colaterais, como alterações na função erétil em uma pequena parcela dos casos — algo que, segundo o médico, também tem tratamento e acompanhamento adequado.
Além dos cuidados médicos, o apoio emocional e familiar é apontado como um fator essencial durante o processo. Pacientes que recebem suporte da família e dos amigos costumam apresentar melhores resultados e enfrentam o tratamento com mais segurança.
Para o Dr. Josinelio, o preconceito ainda é o maior inimigo da prevenção. “Os homens precisam ter o hábito de frequentar o consultório do urologista. Quem realiza exames periódicos vive mais e vive melhor”, afirma. Ele também reforça que o exame de toque não interfere na masculinidade, é rápido e indolor — um mito que ainda precisa ser superado.
Por fim, o especialista lembra que a conscientização não deve se limitar ao mês de novembro. “A saúde masculina precisa ser lembrada o ano inteiro. Cuidar-se deve ser um hábito, não apenas uma campanha”, conclui.




